Falta de fase e mínima tensão são condições diferentes
Publicado em 22 de outubro de 2026 · Produto: Monitor de Tensão CLPT 17,5 mm

Falta de fase e mínima tensão não são a mesma falha. Na falta de fase, uma das fases some e o motor passa a trabalhar em condição perigosa; na mínima tensão, as três fases continuam presentes, mas a tensão caiu abaixo do limite que você ajustou. Por isso um monitor de tensão como o CLPT 17,5 mm trata cada caso de um jeito: na falta de fase o relé desliga na hora, e na mínima tensão ele respeita um tempo de retardo ajustável antes de desligar.
Parece detalhe, mas é essa diferença que separa um painel que protege de verdade de um painel que vive desarmando sem motivo (ou, pior, que não desarma quando precisa).

O que é falta de fase
Falta de fase é quando uma das três fases (L1, L2 ou L3) deixa de chegar ao circuito. As causas mais comuns no dia a dia de manutenção são fusível queimado, borne frouxo, cabo rompido ou problema na própria concessionária.
Para um motor trifásico, essa é uma condição crítica. Ele pode continuar girando ou tentar partir com só duas fases, o que aumenta a corrente nos enrolamentos e leva ao aquecimento. Não faz sentido esperar: quanto mais tempo nessa condição, maior o risco para o motor e para a máquina.
É por isso que, segundo o manual do CLPT, quando ocorre falta de fase o desacionamento do relé é instantâneo. O mesmo vale para a inversão de fase. Nesses dois casos, os tempos de retardo ajustados no aparelho não atuam.

O que é mínima tensão
Na mínima tensão (ou subtensão), as três fases estão lá, mas a tensão está abaixo do valor mínimo aceitável para o equipamento. Isso costuma acontecer em redes sobrecarregadas, no fim de linhas longas, em horários de pico ou quando cargas grandes partem ao mesmo tempo na mesma instalação.
Aqui a história é outra. Uma queda breve de tensão, de poucos segundos, nem sempre justifica parar a produção. Se o monitor desligar a cada afundamento rápido, a máquina para à toa e a equipe perde tempo religando. Por outro lado, se a tensão ficar baixa por mais tempo, o motor sofre, e aí o desligamento é necessário.
Por isso a mínima tensão trabalha com dois ajustes: o limite (quanto abaixo da nominal é aceitável) e o tempo de retardo no desligamento (quanto tempo a tensão pode ficar fora do limite antes de o relé abrir).
Comparação lado a lado
| Ponto | Falta de fase | Mínima tensão |
|---|---|---|
| O que acontece | Uma fase deixa de chegar | As três fases chegam, mas com tensão abaixo do limite |
| Risco principal | Motor operando ou partindo com duas fases | Motor trabalhando com tensão baixa por tempo prolongado |
| Resposta do CLPT | Desliga na hora (instantâneo) | Desliga após o tempo de retardo ajustado (Tt) |
| Retardo atua? | Não | Sim, ajustável de 0 a 20 s |
| O que você ajusta | Nada além da ligação correta | Tensão nominal (Un), % de mínima e tempo Tt |
Como o CLPT 17,5 mm separa as duas condições
O CLPT é um monitor de tensão trifásico em caixa de 17,5 mm. De acordo com o site e o manual, ele supervisiona falta de fase, sequência de fase, assimetria (modular e angular), mínima tensão e máxima tensão, com tensão nominal de 220 a 480 Vca ajustável no frontal.
Falta e sequência: proteção sem atraso
Se uma fase faltar ou se a sequência estiver invertida, o relé de saída desliga imediatamente. A sequência considerada correta pelo aparelho é a positiva (L1, L2, L3). Não há ajuste de tempo para essas condições, justamente porque não existe situação em que valha a pena esperar.
Mínima e máxima: ajuste de Un e de U%
No frontal você escolhe a tensão nominal de operação (Un) e define, em porcentagem, quanto a tensão pode cair ou subir em relação a ela. A faixa de ajuste vai de -5% a -25% para a mínima e de +5% a +25% para a máxima.
Exemplo de conta rápida: numa rede de 380 V, com mínima ajustada em -10%, o limite inferior fica em 342 V (380 × 0,90). Com máxima em +10%, o limite superior fica em 418 V (380 × 1,10). Fora dessa janela, o aparelho entende que a rede não está dentro do padrão.
Retardo no desligamento (Tt)
O tempo Tt, ajustável de 0 a 20 segundos, é quanto o CLPT espera com a tensão fora da janela antes de abrir o relé. É esse ajuste que evita desligamentos por quedas muito curtas. Com Tt em 0 s, a resposta à mínima tensão fica praticamente imediata; com valores maiores, o aparelho tolera afundamentos mais longos.
O manual também indica, para os modelos com retardo, um tempo fixo de 10 s na energização e no religamento. Na prática, depois que a rede volta ao normal, o relé não fecha no mesmo instante: ele aguarda esse tempo antes de liberar a carga.
Histerese
O manual informa histerese de 2% da tensão nominal. Isso cria uma pequena margem entre o ponto em que o aparelho detecta a falha e o ponto em que ele considera a rede normal de novo, o que ajuda a evitar que o relé fique ligando e desligando quando a tensão está oscilando bem em cima do limite.
Como ajustar na prática
- Confirme a tensão nominal da rede e selecione o mesmo valor em Un.
- Defina a porcentagem de mínima pensando na tolerância do equipamento protegido. Consulte os dados do motor ou da máquina, e não só o hábito da equipe.
- Ajuste a máxima seguindo o mesmo raciocínio.
- Escolha o Tt de acordo com a rede: se ela tem afundamentos curtos e frequentes que o equipamento suporta, um tempo maior evita paradas à toa; se o equipamento é sensível, use um tempo menor.
- Teste com a rede normal e registre os ajustes no diagrama do painel, para a próxima equipe de manutenção saber o que foi feito.
Erros comuns
- Achar que relé de falta de fase protege contra subtensão. Só protege se o modelo tiver a função de mínima tensão e ela estiver ajustada corretamente.
- Colocar a mínima no limite mais folgado sem critério. O painel para de desarmar, mas o motor fica exposto a tensão baixa por muito tempo.
- Zerar o Tt para resolver tudo. Qualquer afundamento curto vira parada de máquina.
- Selecionar Un diferente da rede. Todo o cálculo de mínima e máxima passa a ficar errado.
- Culpar o monitor quando ele desarma por sequência. Se a sequência estiver invertida, o problema é a ligação, não o aparelho.
Normas que ajudam a entender o tema
A ABNT NBR 5410 (Instalações elétricas de baixa tensão) trata, entre outros pontos, da proteção das instalações contra quedas e faltas de tensão, e é a referência geral para projetar esse tipo de proteção em instalações de baixa tensão.
O manual do CLPT cita ensaios de imunidade a distúrbios elétricos conforme a série IEC 61000-4: a IEC 61000-4-2 (imunidade a descargas eletrostáticas), a IEC 61000-4-4 (imunidade a transientes elétricos rápidos) e a IEC 61000-4-5 (imunidade a surtos). Em resumo, são ensaios que verificam se o aparelho continua funcionando corretamente quando exposto a perturbações comuns em ambiente industrial.
Perguntas frequentes
Falta de fase e mínima tensão são a mesma coisa?
Não. Na falta de fase uma das fases deixa de chegar; na mínima tensão as três fases estão presentes, mas abaixo do limite ajustado. Por isso o CLPT desliga na hora na falta de fase e aplica o retardo Tt na mínima tensão.
O tempo de retardo do CLPT atua na falta de fase?
Não. Segundo o manual, na falta ou na inversão de fase o desacionamento é instantâneo e os tempos de retardo não atuam.
Qual a faixa de ajuste da mínima e da máxima tensão no CLPT 17,5 mm?
De -5% a -25% da tensão nominal para a mínima e de +5% a +25% para a máxima, com tensão nominal ajustável de 220 a 480 Vca.
Para que serve o tempo Tt?
É o retardo no desligamento, ajustável de 0 a 20 s. Ele define quanto tempo a tensão pode ficar fora da janela ajustada antes de o relé abrir, evitando paradas por quedas muito rápidas.
Depois que a rede volta ao normal, a carga religa na hora?
Nos modelos com retardo, o manual indica um tempo fixo de 10 s na energização e no religamento antes de o relé liberar a carga.
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A instalação deve ser feita por profissional habilitado.
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Veja o produto: Relé falta de fase CLPT 17,5 mm.
